
Existe uma crença silenciosa em muitas organizações: a de que a indisponibilidade de TI é um evento raro, quase um acidente. Algo que “pode acontecer”, mas que dificilmente acontecerá aqui. Essa crença molda decisões, investimentos e prioridades, e é justamente ela que transforma falhas previsíveis em crises graves.
Na prática, a indisponibilidade não é exceção. Ela é consequência direta de ambientes cada vez mais complexos, interdependentes e pressionados por crescimento, redução de custos e velocidade de entrega. Sistemas se integram, fornecedores se conectam, processos se digitalizam. A operação depende da TI para existir. Ainda assim, o risco continua sendo tratado como algo técnico, restrito à infraestrutura.
O problema começa quando a indisponibilidade é analisada apenas como falha de sistema. Nesse momento, perde-se a dimensão real do impacto: faturamento interrompido, decisões operacionais paralisadas, clientes insatisfeitos, SLAs quebrados, riscos regulatórios acionados e, principalmente, confiança abalada. A falha nasce na tecnologia, mas o prejuízo se materializa no negócio.
O risco mais caro não é o da falha em si. É o risco de não saber quanto impacto a organização suporta. Quando não existe clareza sobre tolerância à indisponibilidade, tempo máximo aceitável de parada ou impacto financeiro real, qualquer decisão passa a ser intuitiva. Investe-se demais onde o risco é baixo e de menos onde o risco é crítico.
A empresa acredita estar protegida, quando na verdade está apenas confortável.
O cenário atual amplia esse problema. Cloud, ambientes híbridos, terceirizações, automações e cadeias digitais aumentam a superfície de risco. Muitas empresas se tornaram mais dependentes da tecnologia do que nunca, mas não evoluíram na mesma proporção sua gestão de risco. O resultado é uma operação que funciona bem em condições normais, mas colapsa sob estresse.
Empresas mais maduras começam a inverter essa lógica. Elas não perguntam apenas “o que pode falhar?”, mas “o que acontece com o negócio quando falha?”. Essa mudança parece simples, mas muda tudo. A conversa deixa de ser técnica e passa a ser estratégica. O risco deixa de ser medo e vira insumo de decisão.
No fundo, indisponibilidade não é um problema de TI. É um problema de gestão que ainda não foi tratado como tal.
Vale a reflexão: se um sistema crítico parar hoje, quem sabe exatamente o impacto, e quem decide o que fazer nos primeiros minutos?
